domingo, 22 de maio de 2016

Tudo que um olhar poderia dizer


Ei, me desculpa.
Desculpa estar escrevendo isso só agora.
Sei que isso aconteceu há algumas horas, mas não estava conseguindo acalmar meu coração, muito menos meus pensamentos.
Só posso começar dizendo que: me doeu.

Mais de um ano e meio sem ter sua amizade, sem te ter por perto na minha vida, e um tempo grande sem te ver. E quando chego num bar qualquer, entro na cabine do banheiro, ouço sua voz. Sinto muito, mas não consigo explicar o que virou minha cabeça aquela hora. Comecei a tremer. Ouvi sua risada e decidi ficar mais tempo na cabine. Não tive coragem de te encarar, não saberia disfarçar para você e suas amigas... Com certeza todas perceberiam, pelo meu olhar, o tanto de coisa que queria te falar. Mas não pude. 

Quer dizer, tive a oportunidade ali. Só que me faltou coragem. 
Me desculpa, mais uma vez, sou mesma uma estúpida. 

Esperei você sair do banheiro, me olhei no espelho e percebi o quanto estava nervosa. A noite mal tinha começado para uns, mas para mim acabava ali. A companhia que eu mais desejava ter, estava tão próxima e ao mesmo tempo tão distante. Dei uma arrumada no cabelo, porque pude sentir a risada que daria ao me ver meio desconcertada. Coloquei os cabelos atrás da orelha para você se orgulhar de mim por finalmente ter aprendido a usar brincos. Saí.

Cheguei no meio da multidão, te vi do outro lado. As mãos não paravam de tremer e o coração estava acelerado, dizendo "vai lá, conversa com ela; diz que sua maior vontade é tê-la novamente como sua melhor amiga e irmã; e que, aliás, ela jamais deixou de ser especial, por mais que ambas tenham errado, você continua de braços abertos". 
Quer saber o que fiz? Continuei com o copo na mão, olhando para os cantores mas com o pensamento em tudo isso que eu podia dizer.

Mas aí você acabou passando por um caminho que era do lado de onde eu estava, me cumprimentou. Assustei. SÉRIO. Provavelmente seria um abraço rápido, mas antes de me soltar, te prendi de novo. Conseguimos conversar por alguns segundos sobre o ato de solidariedade que temos tentado fazer na cidade, mas eu te confesso que não lembro direito o que falamos. Fiquei pedindo a Deus que pudesse ver em meu olhar tudo aquilo que queria dizer, queria, com um olhar, te dizer que:

eu sinto saudade
eu nunca te esqueci
deixa, vai, eu te apresentar quem sou hoje
só peço uma oportunidade
e nada mais

então diz, 
o que é que você entendeu com o abraço prolongado e olhar desmascarado?

Posso repetir o que Fábio de Melo disse e que se encaixa perfeitamente:
"A pior coisa nessa vida é a gente ser olhado de um jeito antigo. O que faz a gente se apaixonar uns pelos outros, não é o que o outro nos fala, é o jeito que o outro nos olha." 

Para sempre, nós.

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